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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Obrigado, Espírito Santo!

Eu, que já tinha visitado lugares abençoados por Deus e conhecido tantos outros que mais pareciam ter sido criados pelo próprio Jesus, agora precisava completar essa Santíssima Trindade e descobrir o que o Espírito Santo reservava para mim.

Morro do Moreno, Vila Velha (ES)

Apesar dos curtíssimos 5 dias e 4 noites que passei por lá - praticamente uma excursão da CVC! -, vi que o Estado tem realmente muito mais coisas maravilhosas a oferecer do que somente belas praias, chocolates Garoto e Fernanda Vasconcellos.

A oportunidade surgiu a partir do convite de um grande amigo de infância, o Vitor, que se mudou do Rio para capital do Espírito Santo quando ainda estávamos no ginásio. Já não nos víamos há mais de 10 anos, mas quando a amizade é verdadeira o tempo mostra-se absolutamente irrelevante.

Após muito pesquisar, eu já estava decidido a encarar as 8 horas de ônibus que separam essas duas capitais quando uma promoção relâmpago de passagem aérea surgiu e decidiu definitivamente os rumos dessas visita. Nessa hora, deixei minha total inexperiência em voos de lado e aceitei o "desafio" de chegar mais rápido e mais barato ao destino.

A verticalização da cidade é expressiva, notada desde o alto ao chegar de avião. Desembarquei em uma sexta-feira pela manhã no minúsculo aeroporto local e logo fui apresentado a cidade pelo meu anfitrião. Limpa, moderna e nem tão interiorana quanto eu pensava, Vitória apresentou-se como uma opção interessante para quem busca qualidade de vida neste país tão dissonante.

Conheci, além da capital, um pouco de sua região metropolitana - Serra, Vila Velha, Cariacica e Fundão -, e apesar de alguns desses municípios constarem no ranking de cidades mais perigosas do Brasil, o que se vê ao andar na rua é completamente oposto disso: Segurança e tranquilidade por onde quer que se vá. A violência aparentemente se concentra nas periferias do interior, não afetando a quem vai passear pelas praias e regiões mais próximas à divisa com Vitória.

Visitando a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), andamos nos mais "exclusivos" caminhos do Campus Goiabeira. Após um excelente almoço no bandejão universitário (R$4,50 o prato, com sobremesa!), observa-se uma bela lagoa que embeleza o local. Nas proximidades do Observatório Astronômico, inicia-se a lado uma pequena subida que dá acesso à famosa "Pedra da Maconha", nome que faz jus à vocação do local, mas não à sua formosura: De lá de cima, é possível ter uma visão única das belezas naturais da cidade. Talvez, por isso, o verde sirva de inspiração para muitos... 

A cidade é pequena e andar sobre ela é um convite que não se deve negar. Passeando pela bem cuidada orla da Praia de Camburi, vale a pena sentar nos banquinhos ao seu redor e parar para descansar, admirando as ondas. Logo mais a frente existe o píer de Iemanjá, onde uma imponente escultura da rainha do mar encara os visitantes, que tem o oceano como plano de fundo e escadas de pedra que mais parecem ser um portal para Atlântida.

E por falar em praias... Como deixar de mencionar Nova Almeida e Jacaraípe, as praias da Serra, que mesmo em um dia chuvoso e com ondas fortes que só atraía os surfistas mais corajosos, ainda assim me ofereceram um dos sorvetes mais deliciosos e baratos que já provei? Ou a Praia Grande, do município de Fundão, com uma faixa de areia larga e bem compacta, com vista para a histórica Igreja Reis Magos? Melhor ainda, as praias da Costa e da Sereia, em Vila Velha! Com uma água clara e limpa, desbanca muita praia carioca famosinha. Impossível não sentir inveja do Governador, que tem sua residência oficial logo ali, em um braço de terra de acesso restrito em frente a esse mar!

Mas não só de sorvetes gostosos e natureza exuberante vive a Grande Vitória. Existem shoppings para todos os lados - como verdadeiras pragas! Dos mais bonitos aos mais caidinhos, alguns possuem infraestrutura impecável, que nada deixam a desejar para seus primos paulistas e cariocas. A arquitetura aproveita cada centímetro em uma ilha onde não há mais espaço para crescer, como o Shopping Mestre Álvaro, que "cresce pra baixo", já que pela vista da rua aparenta ser baixinho mas é um prédio bem grande conforme vamos descendo pelo seu subsolo. Com tantos shoppings, às vezes faltam gente para preenchê-los.

E o que dizer da noite de Vitória? Em apenas uma palavra: ORGANIZADÍSSIMA!

Nada de bares improvisados, com cadeiras nas ruas, som alto, ambiente duvidoso e lixo pelo chão. No Triângulo, é possível passar a noite com os amigos em ambientes convidativos, descontraídos e nem um pouco extorsivos, onde a restrição de veículos a partir de determinado horário facilita a socialização de todos no local, que andam livremente em busca do melhor lugar para sentar; beber, comer um petisco, assistir a um jogo no telão ou simplesmente conversar. É provável que enquanto eu escrevo isso lágrimas estejam escorrendo dos Arcos da Lapa (RJ), e a Rua Augusta, em SP, já tenha cometido harakiri mesmo estando longe da Liberdade.

Contudo, é em Vila Velha, logo ali "do outro lado da ponte" que o Espírito Santo parece ter mais vida, elevando-se a um outro status, literalmente: Subindo o caminho em meio a mata que leva ao Convento da Penha é possível ter uma visão privilegiada de toda a cidade e também da ponte que leva à Vitória. Não se espante em ver uma caixa de bombons gigante lá de cima: É a fábrica da Garoto.

O Santuário é lindo, e tem o potencial de fazer qualquer um entender imediatamente o porque deste Estado ter o nome que tem.

E logo ali perto, com 274 metros de altura, encontramos o Morro do Moreno - que ilustra esse post. Sua subida pode ser cansativa para os mais sedentários, mas a vista lá de cima compensa: A ponte, a Baía, o Convento, as praias, a(s) cidade(s)... está tudo lá, ao alcance dos olhos e mais perto do céu. Se você der a sorte de subir em pleno pôr-do-sol, esteja preparado para uma das mais lindas visões da sua vida. Não faça como eu, que sem câmera, não tirei foto nenhuma da viagem e tive de pedir que alguém fizesse o favor de registrar uma imagem minha naquele ambiente incrível. 

Mas acredite, não é lá de cima das igrejas tampouco no pico do Morro do Moreno que você encontrará o ponto alto do Espírito Santo. O destaque do lugar é pura e simplesmente as pessoas, a qualidade de se viver por lá é mérito delas.

O povo capixaba é hospitaleiro, simpático e de um carisma sem igual. Você encontrará "capixabas" de Vitória, mas também da região metropolitana - que a rigor, seriam "espirito-santenses", mas isso é só um detalhe. "Capixabas" do Rio, de São Paulo, Minas e do Nordeste, gente que veio de fora mas já se integrou aos valores simples de amizade e afeto desse lugar.

Uma gente trabalhadora, estudiosa. Gente que merece respeito e que sabe respeitar. Gente que sabe o que quer - esforçadinhos. Gente que canta e seus males espanta, seja no sacrossanto coral da Igreja ou nos bailes funks que emulam de maneira engraçada o batidão carioca. Gente que sofre de amor, mas também de dor no joelho - e nem por isso deixará de te acompanhar seja para onde for. Gente que sabe andar na cidade a pé ou de Transcol. Gente que torce para os times dos outros estados do sudeste, e se por acaso for um juiz, revelará sem medo o time que torce, rompendo um dos maiores tabus de sua profissão, simplesmente porque é agradável, é amigo... é capixaba.

Obrigado por me permitir te conhecer, Espírito Santo!

Um comentário:

  1. Que lindo!!!
    Sou Capixaba e fico muito agradecida por fvc alar um pouco do meu amado Estado com tanta consideração e carinho!

    Fique na PAz!
    Juliana

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