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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Férias! - Abraão e Lopes Mendes

Ah, férias!

Como não passar o ano pensando nelas?



Em julho deste ano, eu e minha esposa finalmente teríamos as nossas. Decidimos então passar uns 15 dias viajando, passando por Ilha Grande, Paraty, Trindade e Ubatuba. O máximo de tempo que havíamos passado fora de casa ininterruptamente foram raros feriados prolongados, de três ou quatro dias. Dessa vez, era a nossa hora de nos desligarmos do mundo e descansar!

Ilha Grande é nosso destino certo de viagem, por ser um lugar muito bonito, relativamente perto, e apresentar um excelente custo x benefício. Estipulamos nessas férias um gasto médio de R$50 por dia com tudo incluso (hospedagem, alimentação e transporte).



Sempre ficamos felizes ao pegar o ônibus para Mangaratiba, e de lá, a barca que segue para a Ilha - mesmo que para isso tenhamos que acordar ainda de madrugada. Impossível não sentir aquele friozinho na barriga, ainda no mar, quando nos aproximamos e vamos enxergando a Ilha ao longe, sua orla, vegetação e residências... Afinal, o que Ilha Grande nos reservará desta vez?

Mal sabíamos, mas dali em diante teríamos uma viagem de férias completa: Com direito à momentos mágicos, muita alegria e também aporrinhação, perrengues insolúveis e experiências únicas, além de, é claro, muitas recordações!

Tão logo chegamos à Ilha naquela manhã, nos encaminhamos diretamente para nossa hospedagem preferida na Vila do Abraão: Camping do Sossego. O lugar é realmente bem sossegado, exclusivo para casais, sem bagunça, com excelente infraestrutura e muito bem cuidado. Isso sem contar o preço, que é excelente (R$15pp). Mas, infelizmente, não contávamos com o fato de que o lugar estaria em manutenção justamente nessa época!

Impedidos de acampar por conta da obra, lá fomos nós em nossa peregrinação em busca de um camping bom e com um preço acessível. Naquele dia, todos pareciam ter tabelado o preço, pois só ouvíamos "R$20", e até mesmo propostas indecorosas de R$25. Percebendo nosso olhar perdido e aspecto de viajantes, um dos diversos "guias" que ficam nos pontos principais da Ilha oferecendo serviços aos turistas ofereceu-nos um quarto (com cozinha!) por R$60 em alguma pousada obscura, mas procurando um pouco mais, acabamos achando duas opções interessantes pelo preço que queríamos: o Camping Raio de Sol e o Camping do Bicão.

Optamos por ficar no Camping do Bicão mesmo e não nos arrependemos. Localizado numa rua tranquila próxima da praia e dos principais comércios, o camping possui uma estrutura muito boa, com lonas para proteger da chuva, banheiros limpos, cozinha ampla e bem equipada com refeitório e até internet wi-fi!


E tem quem pense que acampar é ficar isolado no meio do mato...

Bem instalados e após uma ótima noite de sono, fomos passear pelas praias mais próximas à Vila do Abraão: de um lado, Praia Preta e Praia do Galego, e do outro, bem mais visitadas, as praias da Julia, da Bica, Comprida, da Crena e Abraãozinho.

Na volta, percebemos a dona do camping chegando da rua com um peixe na mão e fomos perguntá-la onde, afinal, poderíamos adquirir um também. Apesar de estarmos rodeados do mar e cheios de barco por perto, peixarias na Vila são praticamente inexistentes - os peixes já são vendidos na panela, mesmo. Felizmente encontramos um pescador que resolvera levar sua caixa de isopor pra rua e vender peixeis inteiros a quilo. Compramos, preparamos e comemos uma deliciosa corvina!

Em ritmo de férias, lentamente planejávamos nossos roteiros e afazeres para os próximos dias. Optamos por visitar a Praia de Lopes Mendes, velha conhecida nossa, e certamente uma das praias mais lindas não só da Ilha mas também de todo o Brasil, com seu mar cristalino e areias branquíssimas. Carol não quis fazer a trilha e decidiu ir de barco (R$20, ida-e-volta), enquanto eu, visando me preparar para uma futura volta a pé na Ilha, decidi não só percorrer a trilha, como também fazê-la correndo e descalço!


Já nos primeiros metros da trilha, vi que a decisão de ir descalço não foi uma das melhores ideias que já tive. Até que, correndo, eu estava mantendo um excelente ritmo e não me cansando muito, mas eventualmente machucava o pé nas inúmeras pedras e madeiras espalhadas pelo caminho. Após algumas subidas íngremes, logo eu chegava no declive e rapidamente alcancei a primeira praia do caminho, talvez a minha preferia de Ilha Grande: a Praia de Palmas.

Dei um rápido mergulho - que água gostosa! -, passei em frente ao camping do Seu Mário - que como sempre, estava fumando e sorrindo -, e logo fui correndo até a próxima trilha que me levaria até às Praias do Mangue e de Pouso. Apressei o passo pensando que, àquela hora, a escuna da Carol já havia chegado há tempos e ela estaria impacientemente na praia esperando por mim.

Assim que cheguei à Praia do Pouso, estranhei o visual completamente deserto. E logo entendi que, por conta do horário - ainda era de manhã - os primeiros barcos ainda nem sequer haviam aportado. Sem muita coisa pra fazer, explorei um pouco o local e até me meti na entrada da trilha T12, que leva até o Farol dos Castelhanos. Fiquei apenas na primeira praia mesmo, a Praia de Itaóca, e logo voltei pra Pouso.

Só após uma hora de espera é que comecei a ver, ao longe, a escuna da Carol chegando. Quem diria, sair correndo e descalço de Abraão até Pouso seria mais rápido do que pegar um barco. E tão logo ela chegou, logo nos encaminhamos para Lopes Mendes. Que espetáculo de praia!




Não dá pra disfarçar. Para onde quer que se olhe, fica cada vez mais fácil entender o porquê de, ano após ano, esta praia ser sempre eleita como uma das melhores do mundo.




E é claro, mais do que simplesmente admirá-la, não pude deixar de dar aquele mergulho!


Preguiçosamente, fomos caminhando os seus 2,8 km de extensão, formados por areias brancas e finíssimas. Até chegar ao final, cansados e famintos, deixamos o "glamour" de longe e tiramos o fogareiro da mochila para fazer um miojão - uma pedida terrível para um calor de 35ºC. Da próxima vez, levaremos frutas...


E nesse ritmo de praias e camping nossos 4 dias na em Abraão e Lopes Mendes passaram voando. Ainda deu tempo de frequentar uma festinha típica que rolava à noite na Vila, experimentar alguns quitutes e até visitar algumas praias das trilhas mais próximas ao Abraão. Com a proximidade de dias chuvosos e certa nebulosidade, decidimos pegar a barca em direção à Angra dos Reis e decidirmos por lá mesmo nosso destino.

O trajeto da barca de Ilha Grande para Angra dos Reis, pelo menos para nós, nos pareceu mais rápido do que até Mangaratiba, itinerário ao qual já estamos mais acostumados. Logo víamos ao horizonte as favelas de Angra dos Reis se aproximando (que município maltratado!) e desembarcávamos em terrível puxadinho ao qual eles chamam de "cais".

Uma vez em Angra dos Reis, já planejávamos sair de lá - mas pra onde? Tínhamos a opção de seguir direto até Paraty ou Trindade, ou até mesmo voltar pra casa e esperar o mau tempo passar. E aí então começou nosso infortúnio.

Andamos um pouco pela marina do centro e logo vimos um conjunto de embarcações mais humildes, prontas para ir até a Praia de Provetá, no outro extremo de Ilha Grande, onde, se tivéssemos disposição, poderíamos seguir uma trilha até a lendária Praia do Aventureiro. E assim, sem pensar muito, decidimos equivocadamente seguir por esse tortuoso destino, que nos reservaria ainda muitos perrengues: um quase naufrágio, frio, chuva, e muitos imprevistos...


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