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quinta-feira, 25 de abril de 2013

De volta à Região dos Lagos (RJ) - 3º dia: A surpreendente Rio das Ostras

O terceiro dia de viagem começou cedo, saindo de Unamar e atravessando novamente Barra de São João, dessa vez beirando o rio. Seriam aproximadamente 16km até o centro de Rio das Ostras, em um dia de sol bem forte.

Assim que saímos da margem do rio São João, optamos por pedalar pelo acostamento da Rodovia Amaral Peixoto, movimentada como sempre, mas não perigosa. Em pouco tempo uma pista lateral auxiliar apareceu, tranquilizando de vez nosso caminho. E logo surgia a placa de "Bem-vindo a Rio das Ostras". 


Ir pela praia não era uma opção, pois nos primeiros quilômetros de praia da cidade, a orla é de terra, com algumas casas praticamente construídas sobre a areia! Pedalar nessa via irregular seria uma martírio, e por isso somente entramos uma vez nas esquinas que levavam à primeira praia de Rio das Ostras, a Praia do Abricó.



A praia do Abricó é muito bonita, mas bem forte também, como denunciam o barulho violento de suas ondas e os altos bancos de areia, resquícios de alguma ressaca.

Voltando ao acostamento e seguindo em direção ao centro da cidade, há um comércio bem intenso, com supermercados e lojas que vão surgindo, mostrando o porquê Rio das Ostras é considerada um dos municípios mais desenvolvidos da Região dos Lagos.

De repente o acostamente acaba, de forma abrupta. Mas relaxe: imediatamente, ao lado da pista, aparecerá uma ciclovia que irá cortar toda a orla da cidade, uma das melhores em que já pedalei.

O fim do acostamento e o início da ciclovia

Tão logo começa a ciclovia, chegamos ao deck da Praia da Tartaruga, ainda beirando a rodovia principal. A praia é bonita, e de lá ja se pode avistar parte do aglomerado urbano do centro de Rio das Ostras, o Iate Clube e algumas das outras praias.



Fomos seguindo despreocupadamente a ciclovia, que nos carregava tranquilamente para a Praia do Bosque. Apesar de não ser a primeira praia de Rio das Ostras, é a que fica logo na entrada do perímetro urbano da cidade e antes do centro, por isso, mais famosa e bem frequentada.


A Praia do Bosque é lindíssima, de águas calmas e temperatura agradável. Aliás, descobriríamos mais tarde que todas as praias de Rio das Ostras tem o mesmo "defeito":  São excelentes para um banho revigorante e perfeitas para um cochilo.



Apesar de ultimamente ser mais conhecida pelas propriedades eh..., digamos, afrodisíacas de seu litoral, as praias da cidade são democráticas, recebendo crianças, adultos e idosos, cada um ao seu modo aproveitando bastante aquele dia ensolarado.

A Praia do Bosque estava tão boa que relutamos em sair dela... Na verdade, só seguimos em frente porque nosso objetivo era conhecer também as outras praias. E pedalando, logo passamos pelo centro, onde também há uma praia, a Praia do Centro, extensão da anterior.

O que chama a atenção é a boa localização dos comércios, todos de frente para o mar. Açougues, bazares e até mesmo uma filial da Casas Bahia, todos eles com vista privilegiadíssima.

Concha Acústica, onde acontecem alguns shows durante o ano

Seguindo em frente, a arquitetura urbana de Rio das Ostras vai nos chamando cada vez mais a atenção, com suas residências de bom gosto, ruas limpas e arborizadas. Em todo o trajeto em frente à praia, diversos comércios disputam os clientes: Pousadas, restaurantes, lanchonetes... Uma loja, aliás, achei interessantíssima: Utilizaram a estrutura de um chalé suíço de madeira como estrutura. Pena não poder ter tirado foto, mas ficou bem elegante.



As outras praias vão surgindo pelo caminho, como a Praia do Cemitério. Nome esquisito, não? Mas a praia era tão bonita quanto as primeiras que havíamos visto pelo caminho, só o clima que era meio morto :P

Uma das praias que mais me chamou a atenção, porém, foi a Praia da Boca da Barra, que é cortada justamente pelo rio que dá nome a cidade. O rio das Ostras (repare no 'r' minúsculo!) passa por ali, atraindo diversos pescadores e também crianças, que se esbaldam em suas águas rasas - pelo menos na borda.



Do rio, avista-se uma ilhota que não está nem a 50 metros de distância da areia. Antes de decidir se devia ou não nadar até lá, entrei na água, e percebi que além da temperatura agradável e areia firme, a praia também era bem rasa, o que viabilizava minha "travessia", até mesmo andando.

Mas o medo de um improvável jacaré aparecer por ali, na parte fluvial, falou mais alto e resolvi ir nadando mesmo. Não sou nenhum exímio nadador, mas a possibilidade de ter feito alguns metros a nado, saindo de uma praia, atravessando um rio e chegando em uma ilha me deixou contente. Explorei um pouco o local, que tinha uma faixa de areia infíma, mas excelente. Ainda tive tempo de conversar com um praticante de stand up surf, que me informou que o princípio de uma trilha que existia ali levava até a Praia da Joana, uma das poucas praias de Rio das Ostras que não conheci nessa viagem, justamente pela "dificuldade" do acesso.

A minúscula faixa de areia da ilha

Na volta à praia, surpresa: Descobri da pior maneira que o tal rio, a exemplo dos rios paulistas, não deságua no mar, mas corre pra dentro do interior. Nessa brincadeira, quase fui arrastado por uma leve correnteza... Sorte que nadei forte, e consegui firmar a ponta dos dedos no chão, o que dificultou o arrasto do rio e me permitiu ir seguindo em frente, exausto, até a areia da praia, onde Carol descansava.


Saindo da Praia da Boca da Barra, fomos procurar a tal da Praia da Joana, mas não encontramos. Passamos por um viaduto e seguimos por algumas ruas não asfaltadas - algo raro em Rio das Ostras -, até chegar, sem querer, na Praia das Areias Negras.



Desse ponto em diante, é bom esclarecer: Nossa câmera parou de funcionar. Não tirava mais fotos, apenas gravava vídeos - dos quais eu capturei algumas screenshots pra ilustrar o texto. No final das contas a câmera pifou de vez, nem vídeo mais gravava, e aí tivemos de apelar para a baixa resolução do celular, mesmo.


Mas se por um lado tínhamos a decepção da câmera, por outro, bem na nossa frente, tínhamos uma lindíssima praia - a primeira selvagem do trajeto -, que enchia os olhos de tanta beleza. "Um excelente lugar para acampar", lembrou a Carol.  Suas ondas eram fortes, a inclinação era forte e logo ficava funda, mas em contrapartida suas pedras formavam grandes piscinas naturais que serviam de abrigo às famílias com suas crianças e aos menos corajosos em enfrentar o mar.

Sem dúvida, foi a minha praia preferida de Rio das Ostras, apesar da qualidade de todas elas. No canto da Praia das Areias Negras, ainda é possível ver a Praia Virgem, outra praia intocada da cidade, que infelizmente não pudemos visitar. Parecia ter uma faixa de areia maior ainda e menos pedras - o que, acredito eu, signifique ter mais ondas ainda!

Já passava da hora do almoço e procurávamos desde Boca da Barra alguma boa opção de comida. Após sair de Areias Negras, seguimos rumo à Costazul, não sem antes passar pela Praia da Baleia e Praia do Remanso, praticamente uma praia só, muitíssimo bem urbanizada, com uma orla de fazer inveja a muita praia famosa por aí. Ouviu, Praia do Forte (Cabo Frio)!?


Deixamos as bicicletas trancadas e fomos andar um pouco, procurando um lugar para comer. As opções eram caras, mas não tanto quanto Búzios. Entre várias opções de lanches, optamos mesmo por um típico PF no Restaurante Cantinho da Praia (R$12 pp), e que servia até quentinhas. Da próxima vez levarei talheres!

O restaurante justificava seu preço mais em conta por não estar localizado exatamente de frente para o mar, mas sim dentro de uma rua de esquina para a praia, que ainda era um pouco visível. A comida veio farta - até demais -, e a muito custo comemos tudo, saindo de lá com pelo menos uns 2 kg a mais. Hora de descansar um pouco antes de pedalar.


Ainda na orla da praia, uma daquelas típicas placas indicadoras com a contagem de quilômetros para os principais destinos turísticos do mundo. Sempre quis ver uma dessas de perto! Aliás, sei que elas tem um nome específico, mas agora me falta a memória....



A tarde ia chegando ao fim, e nossa viagem também. Mas não pretendíamos sair de Rio das Ostras sem antes conhecer o famoso Píer de Costazul.





O píer de Costazul é gigante, um ponto turístico famoso da região. Muita gente leva suas varas de pescar e passam horas por lá tentando fisgar algo.


"Lá em cima", no píer, o vento vinha com força total, levando bonés e balançando cabelos. A paisagem lá de cima é linda, e contemplar o azul do mar de tão alto é indescritível. Melhor do que isso, só navegar em alto mar, imagino.


Objetivo cumprido, era hora de conhecer a praia de Costazul, que parecia ter um sonífero, pois para onde se olhava via-se pessoas dormindo sobre suas cangas. Para fugir do sol, muita gente fica debaixo do píer, aproveitando a sombra dele.

Cheguei a dar um mergulho na água, que é bem agitada. Por fim, acabei me juntando ao sono com a Carol enquanto saboreávamos uma deliciosa cocada de maracujá, vendida ali mesmo na praia (R$3), que valeu cada centavo.

Já íamos indo embora quando lembramos: "Ei, e a Lagoa da Coca-Cola?". A Lagoa do Iriri leva esse apelido pela coloração de suas águas, escuras, devido a alta presença de iodo. Essa lagoa fazia parte da infância da minha esposa, e por isso demos uma rápida passadinha por lá para ver o trabalho de revitalização realizado pelo prefeitura, que inclui quiosques organizados, parquinhos e toda uma infraestrutura básica no local.


Infelizmente era hora de partir. Rio das Ostras, com sua simplicidade, belezas naturais e excelente estrutura turística havia realmente nos surpreendido. Cada detalhe da cidade, desde o cuidado na pavimentação das vias até a limpeza das praias, foram pontos muito positivos, que só nos fazem recomendar, desde já, a visita desse paraíso.

Pelos nossos cálculos, conhecemos quase todas as praias de Rio das Ostras. Faltaram: Praia da Joana, Praia Virgem e a Praia do Mar do Norte. Esta última, divisa com Macaé, ouvimos falar muito bem, e pelas fotos parece ser linda e selvagem. Não vejo a hora de voltar lá e conhecer esse outra parte da cidade...

2 comentários:

  1. Excelente blog!! Parabéns pela maneira como escreve e aborda as viagens!
    Moro em Rio das Ostras e também amoooo conhecer cada cantinho por onde viajo, mas minha bike é motorizada! rsrsrsrs
    Realmente o Mar do Norte (indo pra Macaé) é imperdível - foi o mais distante que já fui de bike! kkkkk
    Quando for, não deixe de procurar os petróglifos que estão aos montes por lá.
    ;D
    Deixo meu face caso queiram algum contato por aqui.
    Tem fotos lá pra vocês sentirem um gostinho do que estou falando, apesar de que vocês são bem do tipo que desvendam pessoalmente, né.
    Um abraço!
    E parabéns pelo estilo de viagens de vocês. Que disposição! Depois eu que sou louca de andar de moto... rsrsrs


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