Páginas

quarta-feira, 24 de abril de 2013

De volta à Região dos Lagos (RJ) - 2º dia: Desmistificando Búzios

Ah, Búzios, a princesinha da Região dos Lagos! 


Princesinha? Será mesmo?? Fomos conferir se Búzios é ou não uma armação...

Praia de Geribá (Agosto/2012)

Eu e Carol já havíamos passado por lá no ano passado, em um rápida passagem na qual mal deu tempo de molhar os pés na famosa praia de Geribá. Confesso que não morri de amores pela cidade à primeira vista, mas a curiosidade de visitá-la novamente um dia, com mais calma, permaneceu. E como estávamos passando o feriado do Seu Jorge na Região dos Lagos, aproveitamos a oportunidade para dar uma esticadinha até Búzios.

Antes, uma difícil escolha: Não iríamos de bicicleta.

Acredite, foi difícil tomar essa decisão. O problema é que a geografia de Búzios definitivamente não é a mais amigável para as bicicletas. Suas infinitas subidas e descidas em ruas de paralelepípedos, com praias afastadas uma das outras e sem interligação entre elas dificultariam muito o conhecimento da cidade em duas rodas.

Não tente entender

Por isso, acordamos cedo no dia de Tiradentes (outro santo milagreiro) e pegamos em Unamar o ônibus B505 - Santo Antônio x Búzios (R$4 pp), que diz a lenda não ter acesso gratuito a gestantes nem à crianças, uma vez que demora tanto a passar que quando surge um as mulheres já pariram, e seus filhos já estão cursando a faculdade. Sério, o ônibus demora MESMO a passar. Se um dia for pegá-lo, veja os horários com antecedência ou simplesmente faça uma baldeação usando o trevo de Búzios como referência.

Assim que conseguimos pegá-lo, seguimos do trevo em direção ao centro de Búzios, não sem antes passar pela esquisita e apertada estrada que liga Cabo Frio à Búzios, numa mistura de paisagem rural com periferias.

Achar que Búzios é perfeita e chamá-la de "A Saint-Tropez brasileira" é de uma desonestidade intelectual gigantesca. É como chamar o Rio de Janeiro de "Cidade Maravilhosa". Qualquer um que não chegue ao Rio de helicóptero com os olhos vendados sabe que a cidade é fétida, desorganizada e caótica. Búzios não é tão diferente assim, não. Apesar de ter suas partes bem cuidadas, principalmente nas regiões praianas, bem como a Rua das Pedras e a Orla Bardot, falta ao restante da cidade um pouco de infraestrutura para o cidadão comum, da terra - uma maioria que infelizmente não vive para gastar tudo em lazer e não vai pra casa de transfer turístico.

Mas não quero bancar o crítico aqui. Afinal, Búzios é uma cidade brasileira como outra qualquer, sujeita aos problemas (in)comuns da má distribuição de renda, falta de infrastrutura no transporte e saneamento básico, etc, etc, etc...

A boa notícia é que, ao chegarmos enfim na cidade, em um ponto de ônibus logo atrás da Rua das Pedras, demos de cara com uma Búzios vazia, sem aglomerações e/ou congestionamentos, como é o comum por lá. Com um suave sol de outono, seria então um dia propício à uma excursão urbana no balneário.

Orla Bardot vazia em pleno feriado. Valeu, Dilmão!

Na Rua das Pedras, um pequeno movimento, com lojas ainda por abrir. Algumas lojas possuem vidros no fundo com vista para a Praia do Canto, que passa por trás da rua. 

Não é minha bicicleta, é a decoração de uma loja!

Em frente, a Orla Bardot, igualmente deserta, abria-se espaço para as praias da Armação e dos Ossos, com suas reduzissímas faixas de areia - aliás, uma característica bem comum das praias de Búzios.


Dona Carol e Dona Brigitte


"O pescador tem dois amor"

Fotos clichês devidamente tiradas com a Brigitte Bardot e o monumento aos pescadores (não são de verdade, não!), fomos indo em direção à uma das mais bem faladas praias de Búzios, na verdade duas: Praia da Azeda e Praia da Azedinha.

Além da cor verde-limão de suas águas (por isso o nome), as praias da Azeda e da Azedinha me chamavam a atenção por, segundo os relatos, serem praias "quase selvagens", das quais era necessário "fazer uma trilha", "levar algo para se comer pois lá não se vende nada" e coisas do tipo.

Foi com um certo sorriso no rosto que pensei "eu já sabia" ao ver a dificuldade de acesso à essas praias: a partir da Praia dos Ossos, segue-se por nem 5 minutos um caminho de paralelepípedos, espaçoso o suficiente para passar um carro, que leva até um trecho de terra batida. Logo no início, pode-se avistar a praia da Azedinha, ao fundo, e uma escadaria de madeira que leva até a Praia da Azeda.


Escadaria para a Praia da Azeda


Já na Praia da Azedinha

A Praia da Azeda, que surge primeiro, nem estava tão cheia, mas sua faixa de areia é tão reduzida que as poucas pessoas presentes nela já aparentavam lotar a praia. Por um pequeno caminho também de terra batida, do qual não se leva sequer 2 minutos para atravessá-lo, já chegávamos à Praia da Azedinha, lindíssima, mas com menos areia ainda que a Azeda! O jeito foi estender a canga sobre uma pedra mesmo e admirar a paisagem.



Acredite, toda a faixa de areia da Azedinha está nessa foto


Não foi nenhuma grande surpresa ver alguns vendedores ambulantes perambulando entre as duas praias, vendendo desde açaí, sanduíches naturais e milho aos banhistas. Disputando o espaço na areia, alguns barcos de pequeno porte transformados em bares, servindo drinks dos mais variados tipos. Até uma barraquinha com o típico pão com linguiça tinha no canto da praia.

A praia da Azedinha merece todo o mérito de sua fama. É linda mesmo, apesar do tamanho. Imagino o quão mais linda deva ficar em um dia com poucas pessoas - não que tivessem tantas, mas dez pessoas já são capazes de lotá-la.

Mergulhos dados, resolvemos lagartear na Praia da Azeda, que também quase não tinha espaço. Conseguimos o nosso cantinho ao sol e fomos pra água, tão deliciosa quanto sua irmã menor. Ah, só por curiosidade: a água é salgada mesmo, e não azeda. :-(

Na Praia da Azeda, ainda tive a "oportunidade" de quase ser devorado por alguns peixes. Pequeninos e inofensivos, beliscavam de maneira indolor os meus pés.

Já era quase hora do almoço quando decidimos andar mais um pouco e ir até a praia de João Fernandes, conhecida como a praia "dos ricos" de Búzios. Pegamos um atalho no caminho da Praia da Azeda mesmo e logo chegamos em João Fernandes, não sem antes visualizar do alto um fato curioso de Búzios: É provavelmente um dos poucos lugares do mundo onde as favelas e moradias mais humildes são planas, pois as residências de alto padrão ficam mesmo é "no morro".


Em João Fernandes, praia lotadíssima. Em termos de cor e temperatura da água, as praias da Azeda e Azedinha ganham de João Fernandes, mas esta também tem o seu charme e logo nos conquistou.


Sobre ser ou não a "praia dos ricos", não posso afirmar. Mas certamente quem almoça em um de seus quiosques deveria ganham um atestado de otário, lavrado e juramentado. Onde já se viu, R$150 por pratos que em qualquer restaurante não custariam sequer metade disso?

Mas há quem compre, então live and let die. Foi nessa praia que também reparamos uma grande quantidade de estrangeiros, principalmente hermanos argentinos e um ou outro boliviano perdido. Mais tarde, quando fomos à outra ponta da praia, ainda tivemos o privilégio de acompanhar a(s) troca(s) de roupa(s) de banho de um casal de idosos alemães, bem velhinhos e enrugados, mas que sem o menor pudor trocavam suas indumentárias a cada mergulho, na frente de todo mundo, protegidos por uma toalha que mais mostrava do que tapava algo - aparentemente, não gostavam de ficar com sungas e biquínis molhados e por isso a necessidade de trocar por uma roupa seca toda hora. Vá entender.

E se João Fernandes realmente é a praia dos ricos, em um protesto silencioso decidimos detonar nosso lanchinho lá mesmo, preparado com muito amor e carinho:

Boloney Sandwich, também conhecido como pão com mortadela.

A tarde ia passsando e optamos por sair da praia e andar mais um pouco, voltando ao ponto de origem: Orla Bardot e Rua das Pedras.

Rua das Pedras (Agosto/2012)

Repletas de boates e lojas de roupa - que facilmente chegam aos milhares de reais, não importa o quão simples sejam as peças -, tanto a a orla quanto a rua são excelentes para uma caminhada, mas se você procura opções econômicas de alimentação, ande mais um pouco para o final delas ou nas ruas paralelas. O preço vai descendo vertiginosamente, e o prato que custava R$100 pode virar um prato executivo de R$9,99, tão saboroso quanto. Ainda nas proximidades, é possível encontrar redes de fast food como o MC Donald's, Bob's e Subway, que eu geralmente não recomendo, mas neste caso em específico, podem ser excelentes aliados de uma viagem com orçamento mais reduzido.

Ainda assim, para lembrar os velhos tempos, levei a Sra. minha esposa para comer um crepe no Chez Michou, famosa creperia que saiu de Búzios para o mundo, com opções de crepes salgados e doces deliciosos, e (ainda) não tão caros, com um bom custo-benefício. Vale a pena, pois ir à Búzios e não comer no Chez Michou é como ir ao Rio de Janeiro e não ser assaltado.

Ainda ao lado da Rua das Pedras, a Praia do Canto corre livre. Com faixa de areia grande - coisa rara em Búzios, estava bem vazia e aproveitamos o fim de tarde por lá.



A praia é surpreendentemente boa, de inclinação suave e com poucas ondas, propiciando excelentes mergulhos.


Búzios, enfim, mostrou-se bela, mas não perfeita, "chique" ou tão maravilhosa quanto ouvimos falar por aí. Apesar de suas belas paisagens, ainda é uma cidade de verdade, com problemas reais, e apenas a propaganda dos atrativos do lugar não vai resolvê-los.

Ainda há muito a ser feito em relação a malha rodoviária, a limpeza, saneamento básico e urbanismo, que peca nas principais vias não turísticas.


Ainda assim, foi muito bom poder revisitar Búzios e conhecê-la mais de perto, tendo uma noção maior de seus defeitos e qualidades. Não há dúvidas de que é um lugar que merece destaque nas dicas de destinos turísticos, mas será Búzios melhor do que Rio das Ostras?

Isso é o que iremos descobrir no 3º dia de viagem pela Região dos Lagos!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente, sugira, critique!