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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Pedal sobre as águas: do Centro do Rio à Ilha de Paquetá

Paquetá é um ilha localizada na Baía de Guanabara, a 15 km de distância do centro do Rio de Janeiro.


Cheia de história e beleza, essa Ilha é muito frequentada aos finais de semana por turistas que buscam, em sua bela paisagem bucólica, um pouco de paz e tranquilidade em plena metrópole.

A primeira sensação ao chegar em Paquetá é de que você, definitivamente, não está no Rio de Janeiro. O barulho dos carros e buzinas ficam para trás, não há asfalto, edifícios... O clima é meio de subúrbio, meio de cidade do interior, acompanhado de belas praias - infelizmente impróprias para banho, como a maioria das praias da Baía de Guanabara.

Eu já havia ido lá no ano passado com minha esposa. Na época, decidimos ir no fim da tarde, em plena Rio+20, quando a cidade estava pipocando de gente para todos os lados. Pensei que pegaríamos a barca cheia ou, ao chegarmos lá, encontraríamos os hotéis e pousadas lotados. Enganei-me redondamente.


Naquele dia, a barca estava bem vazia. Ao contrário da barca que vai pra Ilha Grande, a de Paquetá tem dois andares, com capacidade para mais de 2.000 pessoas sentadas. Aliás, pra quem enjoa, uma boa notícia: as águas da Baía são calmas, a barca não balança quase nada.


Em aproximadamente 70 minutos de viagem, o Centro do Rio vai ficando longe, pequenininho. Os aviões vão passando bem perto da barca - afinal, o Aeroporto é logo ali -, e ainda dá pra cruzar a Ponte Rio-Niterói por baixo, um dos pontos altos da viagem. Literalmente.


Ao chegar em Paquetá, notei que ao contrário da parte continental da cidade, a ilha estava super tranquila, sem nenhuma agitação - como sempre, dizem.

Deu tempo para dar uma breve passeada a pé, conhecer algumas praias e, por fim, dormir na Pousada Acordes ao Luar, que apesar de ser bem cara para os meus padrões (R$120, com café-da-manhã e ar-condicionado), acabou valendo a pena. Os quartos eram amplos, com uma decoração digna de lua-de-mel. Sem contar a cozinha embutida, com geladeira e micro-ondas.

Decidimos, então, voltar um dia com mais calma, mais cedo, e de preferência pedalar por lá...

...E no dia 03 de Fevereiro, enfim, conseguimos. Saímos de casa e pedalamos até a estação de trem mais próxima. A Supervia agora permite a entrada de bicicletas nos vagões aos sábados (a partir das 14h) e aos domingos.

Desembarcando na estação Central do Brasil (sim, aquela mesma do filme), uma pedalada de pouco mais de 2 km nos levaria até a Praça XV, onde fica a estação das barcas.


Mas o centro da cidade estava um pouco... diferente. Com o carnaval chegando, os blocos começam a tomar conta das ruas, devidamente interditadas.  Bom pra nós, que apesar de não sermos foliões, apreciaríamos as avenidas mais movimentadas do Rio completamente sem carros, à nossa disposição.

Havia tempo de sobra para pegarmos a barca, que possui vários horários. Decidimos então dar uma esticadinha na pedalada. Seguindo peça Av. Presidente Vargas até a Av. Rio Branco, e de lá até a Marina da Glória e Aterro do Flamengo, não sem antes passar por diversas praças, teatros, igrejas e tantos outros belos monumentos, que parecem deslocados em meio a tanta sujeira e odores típicos da capital fluminense.


Logo chegamos à outras ruas interditadas e fomos aproveitando o caminho à frente até chegar na praia do Flamengo.



Domingo de sol, praia lotada, evidentemente.


Mas não arriscaríamos um mergulho - aliás, nem a gente nem ninguém. A Praia do Flamengo é reconhecidamente uma das mais poluídas da cidade. A maioria das pessoas ali presentes contentavam-se em ficar sentadas em suas cadeiras de praia, olhando a paisagem e eventualmente um ou outro avião que passava bem pertinho da praia para estacionar no aeroporto logo ao lado.


Hora de voltar, dessa vez fomos seguindo pela ciclovia.


Até chegar novamente de onde vimos: Av. Rio Branco, a coisa mais próxima de uma Av. Paulista que temos aqui no Rio.

Hora de pegar a barca.

Ainda estávamos na fila quando um funcionário da barca nos avisou que as bicicletas também pagariam passagem. Na-na-ni-na-não, pensei. "As nossas bicicletas são dobráveis", informei, enquanto já ia dobrando uma delas. "Elas não pagam, são bagagens normais".

O funcionário, simpático na medida do possível, entrou em contato via rádio com seu superior para tirar a dúvida. Enquanto isso, eu e Carol estávamos apreensivos, porque o horário de embarque já se aproximava.

Por fim, a resposta: "Bicicletas dobráveis não pagam, desde que passem debaixo da roleta" (?!). Ok, então. Passamos e rapidamente tomamos nossos lugares na barca. O passeio estava só começando.


Conforme íamos nos aproximando de Paquetá, já fui dobrando novamente as bicicletas.


E, enfim, estávamos na ilha, prontos para pedalar!


Ao chegar em Paquetá, a primeira providência foi ir à padaria, logo no "centrinho", para comprar água e algo para comer. Uma dica: A padaria (que também é um mercado e uma sorveteria) aceita todos os tipos de cartões, inclusive tickets-alimentação, aqueles cartões que geralmente só usamos para fazer compras em supermercados.

Ou seja, se você quiser fazer algum lanche ou quem sabe até tomar um sorvete mesmo, usando o seu ticket, ali é o lugar. 


Logo ao lado do estabelecimento, há um mural enorme com todo tipo de produtos e serviços para alugar e vender. Vale a pena dar uma olhada, olha o que achamos:


O anúncio nos chamou a atenção porque realmente Paquetá carece de hospedagens que ofereçam um bom custo benefício. Antes de escolhermos a nossa pousada na viagem anterior, procuramos - em vão - por boas opções de pernoite. Encontramos um "Hotel" que mais parecia um bar, cujos quartos eram verdadeiras quitinetes de reboco, ao abusivo preço de R$70,00. Entramos em outro Hotel, muito antigo, que estava todo escuro, sem ninguém na recepção para nos atender, que me lembrou muito o hotel do filme "O Iluminado". Tenebroso!

Infelizmente, a ausência de campings, hostels, B&Bs e outros meios mais razoáveis de hospedagem acabam transformando Paquetá em um "passeio de uma tarde", fazendo com que muitos visitantes voltem no mesmo dia que chegaram. Uma pena. Muita gente adoraria passar mais tempo na ilha. Houvesse mais investimentos desse tipo, junto com o fomento de atividades culturais na ilha, ao estilo do que Paraty faz, Paquetá seria muito mais reconhecida. Potencial ela tem.


Mas como dessa vez não iríamos ficar, seguimos pedalando. A ilha é bem pequena, tem apenas 1,2 km², e logo já havíamos nos embrenhado por suas ruas cheias de gente, bicicletas, triciclos e outros veículos movidos à propulsão humana.


O que mais chama a atenção em Paquetá é o jeitinho simples da ilha e de seu povo. Nada de luxo ou ostentação. As ruas são de saibro, as moradias tem aquele jeito de casa de vila, as árvores tomam conta de cada espaço, deixando um verde onipresente no caminho.


 


As praias são um caso à parte, bonitas e charmosas, apesar de quase sempre impróprias para o banho. Ainda assim, embelezam mais ainda o lugar.




Além das praias, há também o Parque Darke de Mattos como atrativo natural.



Com trilhas, mirantes e uma "passagem secreta" através de um túnel esculpido na pedra, o Parque é um verdadeiro jardim romântico, cheio de árvores centenárias e com vista para o mar.


Existem coisas que só existem em Paquetá. Você já viu algum Cemitério de Pássaros? Em Paquetá tem:


O lugar é repleto de esculturas de aves, caixõezinhos com pequenas lápides e poemas homenageando voadores que um dia resolveram voar mais alto...


O cemitérios dos, digamos, "donos dos pássaros", logo ali ao lado, também não deixa nada a desejar em esmero e sofisticação nos túmulos. 

Um nuvem vem passando e resolve derramar na Ilha uma daquelas chuvas de verão bem intensas. Não há solução senão tomar banho de chuva. 



Do alto da Pedra da Moreninha, vemos lá em baixo as nossas bicicletas tomando banho também.




A chuva, enfim, passa, deixando a terra molhada e com algumas poças d'água no meio do caminho.





Várias voltas depois e, mesmo com chuva, não fica difícil entender o porque Paquetá foi a inspiração de vários romances da literatura brasileira e refúgio de José Bonifácio.

Lugar de paz, tranquilidade e descanso, Paquetá merece uma visita de vez em quando.
De vez em sempre.


3 comentários:

  1. Top seu post...! Estive lá e acredite não vi tão grandeza num exorbitante sol de 40°C. Mas não vou levar em consideração e voltar lá com todo esse empenho que vocês tiveram. Parabéns e tudo de ótimo para vcs!

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  2. Desculpe, agora que vi que este post é de 2 anos atrás... Mas de toda forma obrigada por compartilhar!

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  3. Desculpe, agora que vi que este post é de 2 anos atrás... Mas de toda forma obrigada por compartilhar!

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